segunda-feira, 16 de julho de 2007

Hoje,
o olhar dos campeiros
mirando o horizonte,
enxerga mais campos
e neles se perde,
pois neles se encontra.
Olhando a si mesmo
com verdes na alma,
lagoas nos olhos
e correntezas no sangue!
Madrugadita, vou de-a-cusco e de-a-cavalo
Cortando campos nevoentos de umidade.
Tropeio sonhos bons e, ao léu, espanto os malos
Deste meu peito, parador de mil saudades.

Há um bárbara eficiência
nessa rude medicina,
a faca é limpa na crina
que alvoroçada revoa,
pouco interessa que doa,
a dor faz parte da vida.
Há de sarar em seguida,
desde guri tem mão boa.

Aprendeu nem sabe como,
a estancar uma sangria.
Sem noções de anatomia
é um cirurgião instintivo
que por vezes pensativo,
afundou na realidade
da crua barbaridade
desse ritual primitivo.

Um pealo, um tombo,
grunhidos de impotente rebeldia,
o sangue da cirurgia
No laço e no maneador.
Nada pra tapear a dor
do potro que sem saber,
perdeu a razão de ser
na faca do castrador.

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